• VOLTAR
  • Imprimir
  • ENVIAR
  • A+ A-
Cepel desenvolve solução tecnológica para reduzir perdas comerciais de concessionárias de distribuição

Detalhes: Notícias

Cepel desenvolve solução tecnológica para reduzir perdas comerciais de concessionárias de distribuição

15-07-2019

Em todo o mundo, as concessionárias de distribuição de energia enfrentam, anualmente, prejuízos da ordem de bilhões de dólares em virtude de perdas comerciais. Estas perdas, também chamadas de não técnicas, decorrem, em grande parte, de furtos ou fraudes nos sistemas de medição de energia elétrica instalados nas unidades consumidoras. No Brasil, tais perdas equivalem, segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a 6,7% da energia injetada no sistema elétrico, correspondendo a aproximadamente R$ 4,5 bilhões. Neste contexto, o Cepel vem buscando desenvolver soluções tecnológicas como forma de auxiliar as concessionárias a lidarem com o problema. Uma destas soluções visa monitorar, alertar e atuar quando campos magnéticos de alta intensidade são posicionados próximos a medidores de consumo.


“O Cepel trabalha nesta iniciativa, desde 2017, a pedido de uma distribuidora que possuía índice de perdas comerciais bastante elevado. As equipes da distribuidora descobriram fraudes produzidas por aplicação de campos magnéticos intensos, que produziam redução do registro do consumo real das unidades consumidoras. Desenvolvemos, então, uma solução que engloba um dispositivo modular, sistema e método para o monitoramento destes campos magnéticos de alta intensidade, explica o pesquisador do Cepel Luiz Carlos Grillo de Brito, acrescentando que o invento teve seu pedido de patente solicitado junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) no final de junho.


Além de Luiz Carlos, participam do desenvolvimento da invenção os pesquisadores Daniel Ferrer Berquó, Luiz Fernando Pereira Barros, Cesar Jorge Bandim e José Eduardo da Rocha Alves Junior. Eles explicam que o principal objetivo do circuito proposto é detectar, identificar, registrar e informar (local ou remotamente), de forma permanente e consistente, que campos magnéticos externos de alta intensidade foram aplicados em medidores de energia elétrica com objetivo de fraudar uma medição de consumo de energia. “Além disso, pode atuar, penalizando este tipo de ação, com a suspensão imediata do fornecimento de energia elétrica para a unidade consumidora”, complementam.


Outros ganhos econômicos


De acordo com os pesquisadores, a redução de perdas não técnicas também produz outros ganhos econômicos, uma vez que possibilita maior margem operacional das redes elétricas, considerando-se que regiões de perdas elevadas são mais suscetíveis a acidentes e desligamentos provocados por aumentos de cargas desconhecidas e subfaturadas.


O invento, ao auxiliar no combate à fraude de energia, também contribui para maior segurança e qualidade de fornecimento de energia elétrica e para a modicidade tarifária aos consumidores de energia elétrica. Cabe ressaltar que as perdas não técnicas causam prejuízo tanto para os consumidores quanto para as concessionárias, influenciando negativamente a tarifa de energia elétrica.

 

Recentemente, inclusive, a Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados aprovou proposta que obriga as distribuidoras de energia elétrica a especificar, nas faturas emitidas ao consumidor, o valor referente a este tipo de perda. A proposta será analisada em caráter conclusivo pelas comissões de Minas e Energia; Constituição e Justiça; e Cidadania.


Próximas etapas


O Cepel submeteu à Light uma proposta de projeto, dentro do programa P&D Aneel, para o desenvolvimento de cabeças-de-série do protótipo desenvolvido em seus laboratórios. A previsão é de que seja aprovado ainda em 2019.


A próxima etapa do projeto envolve o aperfeiçoamento do protótipo, objetivando sua reprodução em maior escala e mais testes de laboratório e de campo. “A produção de um lote pioneiro deve ser realizada em seguida, para validação e controle da qualidade do objeto que se pretende comercializar. Em seguida, a proposta é firmar contratos ou convênios com empresas dispostas a produzir e comercializar a solução”, afirmam os pesquisadores.


O Cepel está avaliando a possibilidade de solicitar o pedido de depósito da referida patente em outros países.