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Inova, Cepel

04-10-2019

Amilcar Guerreiro *

 

O setor elétrico está mudando rapidamente. No Brasil e em todo o mundo.

 


A clássica topologia geração concentrada-transmissão em alta tensão-distribuição aos consumidores finais, em que estes tinham um papel passivo, caracterizado basicamente pelo acionamento de interruptores e pelo pagamento das faturas, está sob evidente transformação.

 


A introdução de elementos como geração distribuída, produtores-consumidores (os “prosumers”), smart grids, modernas tecnologias de armazenamento de energia elétrica, entre outros, alteram profundamente esse quadro.

 


Tal cenário impõe a busca por novas ideias, aderentes à nova realidade e às facilidades que a tecnologia oferece. Impõe, portanto, inovação.

 


Considerando que inovações são capazes de gerar vantagens competitivas a médio e longo prazo, inovar torna-se essencial para a sustentabilidade das instituições e das empresas no futuro.

 


O presidente do Instituto Latino-Americano de Empreendedorismo, Inovação e Desenvolvimento Sustentável, Janguiê Diniz, propõe a questão: “como é possível sobreviver a um mercado que se mostra cada dia mais irregular, especializado e competitivo?”. E desenvolve: “muito provavelmente, a resposta inicial da maioria seria ‘qualidade’. No entanto, oferecer produtos ou serviços de qualidade não é mais um diferencial de mercado, é uma premissa necessária. Assim, quais seriam as características necessárias para se manter vivo nos negócios? A resposta está na inovação. Para manter ou melhorar as condições de uma empresa no mercado, faz-se necessária a criação de fatores competitivos ligados à inovação. Ela não é somente um diferencial, mas também a fórmula da sobrevivência e um dos principais fatores que determina a competitividade de setores, países e empresas. Atualmente, inovar é condição para permanecer no jogo dos negócios.”

 


Para a consultoria especializada ABGi, “inovação tem capacidade de agregar valor aos produtos de uma empresa”. As empresas que inovam, “seja de forma incremental ou radical, de produto, processo ou modelo de negócio, ficam em posição de vantagem” comparativa porque criam condições para que “acessem novos mercados, aumentem suas receitas, realizem novas parcerias, adquiram novos conhecimentos e aumentem o valor de suas marcas”.

 


Em um setor em transformação, parcerias serão, mais do que nunca, relevantes. E há, de fato, um conjunto de instituições que formam o que se entende como o ecossistema de inovação e que são, entre si, parceiros essenciais: universidades, centros de pesquisa, startups, agências de fomento, investidores, governo e empresas.

 


A esse respeito, merece destaque o que sustenta, em artigo recente, o professor David Kupfer, do Instituto de Economia da UFRJ: “a instituição de pesquisa, pública ou privada, acadêmica ou não, é o nó central do ecossistema de inovação. (...) Em outras palavras, o locus de acumulação das capacitações tecnológicas é a instituição de pesquisa”. E conclui que não se pode limitar o apoiamento a projetos de pesquisa e desenvolvimento (P&D) e descuidar-se das instituições, pois esse é o “caminho fatal para a dispersão de recursos sem que retornos substantivos de maior tempo de maturação possam ser alcançados”.

 


Há de se preservar, portanto, as instituições de pesquisa como propulsores do desenvolvimento científico e tecnológico de um país. Neste contexto, em comparação com congêneres de outras partes do mundo, o setor elétrico brasileiro possui um importante elemento diferencial, potencialmente voltado à inovação, com laboratórios de P&D, alguns únicos na América Latina, que é o CEPEL. O Centro conta ainda com um corpo de pesquisadores altamente qualificados em ampla gama de especialidades, inclusive com reconhecimento internacional, o que lhe confere elevada capacidade de adaptação e flexibilidade.

 


Em 2019, o CEPEL completou 45 anos. Sua história é marcada por muitos desafios e conquistas, estreitamente ligados ao setor elétrico brasileiro. Desde sua criação, tem-se mantido em sintonia com a evolução regulatória e com os requisitos técnicos do setor elétrico, incluindo a evolução dos sistemas e dos equipamentos e das técnicas a eles associadas.

 


Mas não se deve dormir sobre as glórias do passado. Por tudo que aqui foi dito, é preciso inovar. Inovação é, pois, questão que se coloca crucial para o CEPEL e pode relacionar-se a novas fontes de suprimento de insumos para o Centro.

 


Para Nick Balding, “inovação é a exploração com sucesso de novas ideias”. No caso do CEPEL, o “novo” sucesso significa aceder a novos mercados, adotar novos modelos de negócio, novos processos e novos métodos organizacionais, assegurar, em novas bases, sua sustentabilidade técnica e econômico-financeira, oferecer a seus parceiros soluções que ofereçam vantagens competitivas. Isso, para continuar a fazer a diferença no setor elétrico brasileiro.

 


(*) Amilcar Guerreiro é Diretor-Geral do CEPEL e ex-diretor de Energia Elétrica da EPE